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Sinais de
Desmotivação
“As pessoas que
vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que
precisam e, quando não as encontram, as criam.” (George Bernard
Shaw)
O entardecer do domingo oferece uma sensação de angústia diante
do início de mais uma semana de trabalho que se avizinha. Você
logo imagina o desconforto de levantar-se cedo e encarar um
pesado trânsito – ou transporte público lotado – até a sua
empresa, onde reencontrará colegas com os quais mantém um
relacionamento superficial, caixa de entrada cheia e reuniões
intermináveis que parecem não levar a ações concretas.
Um almoço insípido, alguns telefonemas e uma eventual discussão
podem completar uma rotina que se estenderá até a sexta-feira ou
o sábado, quando finalmente a alegria se manifestará com uma
pausa em suas atividades profissionais.
Se você se identifica com o cenário acima é porque sinais de
desmotivação bateram à sua porta. Você se sente desanimado com
tudo, sem notar que animus representa o princípio espiritual da
vida, do latim anima, ou o sopro de vida. Assim, estar
desanimado é estar sem alma, sem espírito, sem vida.
Basicamente, esta situação pode decorrer de um aspecto interno,
a falta de entusiasmo, ou externo, a falta de reconhecimento.
A perda de entusiasmo é um processo endógeno, ou seja, inerente
a você. Ela parte de dentro para fora e pode ser consequência de
diversos fatores. Primeiro, de um trabalho desalinhado com os
seus propósitos, em especial missão e visão. Se a sua atividade
não guarda sinergia com os objetivos que você determina para o
seu futuro, é natural que gradualmente o interesse se desvaneça,
porque você não enxerga sentido no que faz.
Além disso, há que considerar a influência do ambiente de
trabalho – coisas e pessoas. Uma infraestrutura inadequada,
formada por equipamentos ultrapassados, que comprometem um bom
desempenho profissional, associada a um clima de trabalho tenso
em virtude de desarmonia com os colegas, certamente prejudicam
seu estado emocional.
Outra variante possível é o que denomino de “síndrome da cabeça
no teto”. Isso acontece quando, mesmo dispondo de boa
infraestrutura, clima organizacional favorável e atividade
sintonizada com os seus objetivos pessoais, a empresa mostra-se
pequena para o seu potencial. Neste contexto, você se sente
maior do que a estrutura que lhe é oferecida e percebe que o seu
crescimento está ou ficará limitado.
Todas estas circunstâncias conduzem a um crescente desestímulo.
A apatia floresce, o desalento toma conta de seu ser e o
entusiasmo se despede. E quando remetemos à raiz grega da
palavra entusiasmo, que significa literalmente “ter Deus dentro
de si”, compreendemos a importância de cultivá-lo para alcançar
o sucesso pessoal e profissional.
Já a falta de reconhecimento é uma vertente exógena, ou seja,
dada de fora para dentro. Em maior ou menor grau, todas as
pessoas precisam de doses de reconhecimento. Aqueles dotados de
uma autoestima mais elevada conseguem saciar esta necessidade
individualmente. Porém, em especial no mundo corporativo,
espera-se que nossos pares, e mais ainda, os superiores
hierárquicos, demonstrem reconhecimento por nossos feitos, seja
como identificação ou por gratidão.
Este reconhecimento pode vir travestido por um sorriso ou um
abraço fraterno, congratulações públicas ou privadas, recompensa
financeira ou promoção de cargo. Mas é fundamental que se
demonstre, pois funciona como combustível a nos mover em direção
a novas realizações, maior empenho e satisfação.
Em regra, note que aplacar os sinais de desmotivação depende
exclusivamente de você. Em princípio, esteja atento para
identificar estes sinais. Em seguida, procure agir para
combatê-los. Isso pode significar mudar ou melhorar o ambiente
de trabalho, buscar relações mais amistosas com seus colegas,
alterar sempre que possível a sua rotina, perseguir novos
desafios, estreitar o diálogo com os seus supervisores. E, num
extremo, até mesmo mudar de organização for se preciso,
planejando a sua saída com consciência e racionalidade.
Tom Coelho é
formado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP,
especialização em Marketing pela Madia Marketing School e em
Qualidade de Vida no Trabalho pela USP. É consultor, professor
universitário, escritor e palestrante.
www.tomcoelho.com.br

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