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SEXTANTE DE OURO
A gerente sênior da
CSC, Elizabeth Borges,
revela a
importância do Change Management
na retenção de
talentos em processos de
mudanças
corporativas, tais como
fusão e
aquisição...
Na aeronáutica, na
astronomia ou na marinha, o sextante é um instrumento de suma
importância. Cabe a ele medir, a bordo do navio ou de uma
aeronove, a distância entre o horizonte e um corpo celeste. Ele
também pode ser usado para descobrir o ângulo entre dois pontos
conhecidos em terra e traçar uma linha para determinar a sua
atual posição. Se pudesse ser adaptado ao mundo corporativo, um
instrumento como o sextante deveria, a partir do estabelecimento
das metas e da avaliação das pessoas, traçar estratégias capazes
de tornar a empresa ainda mais competitiva e lucrativa. A
ferramenta não existe, mas profissionais já perceberam a
importância de assumir esse papel. Liza Borges, gerente sênior
da CSC (Computer Sciences Corpor-ation) – uma empresa global que
oferece serviços de negócio e tecnologia – pode ser comparada ao
sextante (de ouro) que alinha estratégia e desenvolvimento de
pessoas ao crescimento corporativo, minimizando impactos
negativos nos momentos de turbulências e mudanças, como
processos de aquisição e fusão.
Arquiteta de formação, a executiva fez sua escolha pensando em
estabelecer uma carreira. Foram as condições do mercado que a
levaram a escolher um caminho tão diverso do plano original.
Mudança, então, deixou de ser uma palavra ocasional, quase
imprevisível como é para o restante das pessoas, para se tornar
o foco do trabalho de Liza: ao aceitar trabalhar em uma empresa
aérea num momento em que os aeroportos, no Brasil, estavam
passando por remodelações e reformas, Liza mudou o foco da
carreira, dando início a uma fase de crescimento profissional e
pessoal que lhe permitiu conviver com diferentes culturas.
Desafios, claro, surgiram, e ela teve de se aprofundar na área
de gerenciamento de projetos. Mas as oportunidades que lhe foram
apresentadas compensaram as transformações que se seguiram.
Na nova área, Liza acompanhou trabalhos fora do país e aprendeu
outras práticas e técnicas de planejamento e controle de
projetos. A experiência profissional aliada à formação acadêmica
permitiu a ela obter a certificação (PMP) Project Management
Professional reconhecida pelo do PMI (Project Management
Institute), instituição da qual é membro e atua como voluntária.
Especializou-se em Change Management, ou numa tradução para o
português, gestão de mudanças – área que já tem chamado a
atenção das empresas, no país. Nesta entrevista à revista Após
Business, Liza Borges fala sobre a importância do assunto para a
retenção de talentos nas corporações. Leia os principais
trechos, a seguir:
RA: De que maneira o Change Management pode diminuir os
riscos e tornar as grandes (e pequenas) transformações
empresariais um processo natural dentro da companhia?
LB: Trabalhando com as pessoas. Todo projeto, seja qual for, é a
materialização de uma ideia, que por consequência transforma a
realidade. Os projetos mudam a realidade das empresas e as
pessoas passam a viver em uma nova realidade. Precisamos
preparar as pessoas para a mudança que, dependendo da
abrangência do projeto, pode ser grande ou pequena.
RA: Quais os principais desafios enfrentados pela empresa
numa situação de transformação da gestão (fusão, aquisição)?
LB: O alinhamento cultural e a aceitação de uma nova identidade.
É preciso que as pessoas se identifiquem com uma nova visão
empresarial, entendam a missão e absorvam novos valores. Neste
aspecto, a comunicação tem que ser clara, objetiva e abrangente.
É muito importante que as pessoas recebam as informações sobre
as transformações que afetarão as suas vidas através dos canais
internos de comunicação empresarial e não pela mídia externa.
RA: Como lidar com a equipe num processo de mudança? Há
profissionais mais capacitados para lidar numa situação desse
tipo que outros? Como direcionar comportamentos eficientes e
potencializar o trabalho em equipe durante períodos turbulentos?
LB: Não existe excesso se a informação é consistente e coerente.
Não podemos desconsiderar que existem pessoas mais abertas a
novos comportamentos e mais flexíveis e adaptáveis. Em nossa
prática, mapeamos as pessoas impactadas com as mudanças (e as
mais resistentes a elas), identificamos os formadores de opinião
e, a partir disto, elaboramos um plano customizado que trata de
forma diferenciada os níveis de aceitação da mudança.
RA: Qual é o modelo e os perfis de liderança adequados à
gestão de mudanças, na sua opinião?
LB: As verdadeiras lideranças são aquelas que se envolvem
pessoalmente com a mudança, vivenciam a mudança e, além de
transmitir com palavras e orientações às suas equipes, praticam
e dão exemplo de que absorveram a nova cultura, o novo processo
e nova tecnologia.
RA: É possível apontar pilares da gestão de mudanças? É
possível replicá-los em outros processos de mudanças e em outras
empresas?
LB: Não temos uma receita de bolo, pois cada cenário de mudança
requer uma análise de impactos, que irão orientar o plano de
gestão da mudança. Mas trabalhamos com alguns direcionadores.
Por exemplo, cuidamos do alinhamento organizacional junto às
lideranças, que precisam ser envolvidas na condução de novos
comportamentos e aplicação de novas práticas. Também é preciso
reconhecer o desempenho, reforçando o alcance dos objetivos e
estruturando grupos de trabalho com clareza de funções,
responsabilidades e relacionamentos. Isso dá agilidade à mudança
e valoriza o comprometimento das pessoas. Além disso, é preciso
mostrar como superarem suas resistências internas, aceitando
novos caminhos, oferecendo-lhes modelos de pensamento e
comportamento. Para tanto, a comunicação é fator primordial para
o sucesso da mudança, pois requer o envolvimento ativo de todos
os empregados, em todos os níveis e o compartilhamento de
informações críticas. A criticidade pode ter graus distintos
para diferentes pessoas. Isto só é alcançado com diálogo honesto
e interativo. Por último, é de fundamental importância a
capacitação para promover o desenvolvimento e compartilhamento
de habilidades e conhecimento dos empregados.
RA: De que maneira o Change Management pode transformar
positivamente a cultura organizacional e de que maneira isso
pode reverter em maior lucratividade para a empresa?
LB: Quanto mais cedo as mudanças são absorvidas, mais
rapidamente as empresas recuperam os investimentos feitos em
seus projetos. O Change Management bem trabalhado ajuda na
retenção de talentos, reduzindo o risco de evasão de
conhecimento e de relacionamento. Uma empresa que perde seus
talentos perde vantagem competitiva e enfrenta o risco de que
seu colaborador vá trabalhar na concorrência.
RA: Embora muito discutido, esse tema ainda não é levado a
sério pelas empresas. Por quê?
LB: Felizmente, isso já está mudando. Talvez as empresas não
cuidem da Gestão de Mudança de forma estruturada, como um
projeto interno que precisa ter um patrocinador, um plano que
deve ser executado e acompanhado. Mas é fato que já percebem a
necessidade da comunicação aberta e transparente, da capacitação
interna e, principalmente, do envolvimento e comprometimento da
liderança neste tipo de gestão.
RA: A senhora é
especialista em PMO. Poderia explicar um pouco esta prática?
LB: A prática de Gerenciamento de Projetos (PMO) é a minha
origem. O Change Management (Gestão de Mu-danças
Organizacionais), assim como a Gestão do Conhecimento, foram as
consequências naturais da prática de Gerenciamento de Projetos.
Uma vez que todo projeto traz uma mudança, nos levando a
adquirir novos conhecimentos, a complementação das práticas é
natural. A prática de Gerencia-mento de Projetos alinha todos os
conhecimentos, habilidades e técnicas para planejar, executar,
monitorar, controlar e formalizar o encerramento, aumentando as
probabilidades de sucesso dos projetos.
RA: Podemos considerar a prática de PMO nova entre as
empresas brasileiras?
LB: Muito se fala de PMO (Project Management Office), que
significa em português Escritório de Projetos. O PMO pode
assumir diferentes papéis e tem evoluído em seu desenho e modelo
de operação nos últimos anos. Não acho que seja novo. O primeiro
PMO em que trabalhei foi em 2003, aqui mesmo no Rio de Janeiro.
Hoje, tanto na iniciativa privada quanto no governo, podemos ver
vários PMOs, bem como nas áreas responsáveis por acompanhar o
avanço e a realização dos projetos de forma estruturada. Não
podemos deixar de considerar a necessidade da devida atenção à
prática de Gestão do Conhecimento. Em conjunto com o
Gerenciamento de Projetos e Gestão de Mudança, é importante
promover, zelar, capturar e disseminar o saber organizacional. O
conhecimento não pode ser perdido nos processos de mudança, os
quais devem considerar o conhecimento das pessoas e
transformá-lo em conhecimento organizacional.

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